''Um dos maiores problemas é a falta de reconhecimento do trabalho realizado por agentes, escrivães e papiloscopistas''
Paulo Renato Silva Paes tem 53 anos e é agente de Polícia Federal. Natural de Rio Grande/RS é Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente, é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Rio Grande do Sul e Diretor de Estratégia Sindical da FENAPEF. Em entrevista ao Sindipol/DF fala um pouco sobre sua trajetória profissional e perseguições no Departamento de Polícia Federal.
SINDIPOL/DF - Como surgiu o interesse pela carreira policial?
A Carreira Policial, assim como as militares, sempre teve e tem um grande atrativo entre os jovens. Comigo não foi diferente e, logo após ter concluído o NPOR, em 1978, fiz o concurso no ano seguinte.
SINDIPOL/DF - Como e quando o senhor ingressou na PF?
Fiz concurso em 1979 e curso de formação, na Academia Nacional de Polícia, em 1980 .
SINDIPOL/DF - Onde foi a sua primeira lotação?
Minha primeira lotação foi no Chuí/RS (de 1981 a 1987), depois fui removido para Porto Alegre, Florianópolis e, posteriormente, voltei para Porto Alegre, onde me aposentei em 2008.
SINDIPOL/DF - Como foi a sua trajetória para se tornar presidente do Sindicato do Sinpef/RS?
Durante a greve de 1994, participei ativamente nos movimentos, sendo convidado, logo após, para, participar da diretoria como suplente. Em 1999, após ter retornado de Florianópolis, fui convidado pelo Wink, para ser Vice-Presidente na chapa na qual ele seria candidato a Presidente. Foi um ótimo aprendizado, porque ele já tinha uma grande experiência como sindicalista. Em 2007, com a eleição dele para a presidência da Fenapef, concorri a presidente do SINPE/RS, onde estou no terceiro mandato.
SINDIPOL/DF - Em sua opinião, quais são os maiores problemas do DPF hoje?
Um dos maiores problemas é a falta de reconhecimento do trabalho realizado pelos Agentes, Escrivães e Papiloscopistas. Há profissionais extremamente competentes sem a devida valorização, com a adoção de uma lógica avessa à meritocracia. Além disso, o mais absurdo é colocar, em postos de comando, delegados sem a mínima experiência na área policial. Também vejo como preocupante a situação dos colegas lotados em áreas de difícil acesso ou em fronteiras, pois o órgão não possui condições técnicas e nem capital humano minimamente suficientes para controlar a entrada e saída de pessoas no país. além disso, o DPF carece de uma política de remoções realmente eficiente, sem casuísmos ou apadrinhamentos.
SINDIPOL/DF - Já sofreu algum tipo de perseguição devido sua atuação sindical?
O Sindicato do Rio Grande do Sul sempre foi combativo contra os desmandos e as injustiças praticados por esse ou aquele chefe. Isso sempre desagrada aqueles que têm seu poder contestado. No SINPEF/RS, pela atuação efetiva de seus dirigentes, sofremos vários procedimentos disciplinares como forma de perseguição. Desde a greve de 1994, quando fui alvo de umas quatro sindicâncias, vez por outra temos que responder por alguma ação do sindicato, visando coibir os abusos praticados por algum delegado. Uma das ações a que respondi só conseguimos ter êxito quando do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente está sendo instaurado um inquérito policial, em decorrência de uma representação que fizemos contra um delegado, aliás, mais um, que se achava dono da delegacia onde era chefe. Mas isso faz parte da vida de quem se propõe a brigar por aquilo que, com certeza, trará mais benefícios de qualquer ordem para os seus sindicalizados. em nenhum momento mudei minha posição por medo de perseguição ou de punição, por ter atuado para fazermos uma polícia mais democrática, onde todos sejam valorizados. Também analiso que essas perseguições e punições a sindicalistas são como medalhas de batalhas, só as ganha quem realmente faz a diferença.
Fonte: SINDIPOL/DF