Toras de madeira nobre boiam como jangadas no leito do Rio Javari, um dos principais afluentes do Solimões, que separa o Brasil do Peru. São o resultado do desmatamento ilegal feito por contrabandistas peruanos que fazem o corte seletivo do que sobrou de cedro no lado brasileiro da fronteira, de acordo com investigação da Polícia Federal. O material vaga pelo rio diante de uma das quatro lanchas blindadas e altamente equipadas que a Receita Federal comprou, em 2007, para fiscalizar o contrabando e coibir os crimes transnacionais na Região Norte. Mas as embarcações estão paradas há pelo menos dois anos. Cada barco custou R$4 milhões ao contribuinte.
Os troncos entrelaçados descem o rio em direção à Islândia, ilha peruana onde a madeira é processada, antes da exportação para México e Estados Unidos. De acordo com a investigação da PF, grande parte do produto brasileiro é levada para o Hemisfério Norte por duas embarcações de bandeira mexicana, "Yacumama" e "Yacucaspi", que já foram interceptadas com carregamento de pasta base de cocaína. A madeira é incorporada aos carregamentos legalizados de madeira extraída em áreas de manejo do lado peruano.
Fonte: O Globo