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Perseguições a policiais federais continuam no Norte Postado em 22/12/2011 por SINPEFRN às 00:00

O superintendente regional do Departamento de Polícia Federal no Acre instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra quatro agentes federais por, supostamente, terem contribuído para a divulgação, pela imprensa, da falta de condições de trabalho nos postos de fronteiras, nos municípios de Santa Rosa do Purus e Marechal Thaumaturgo. No estado do Amazonas, o superintendente regional também decidiu abrir PAD contra o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Amazonas (SINPEF/AM), Nelson Oliveira da Silva e contra o vice-presidente José Sobral. Motivo: os dois teriam chegado atrasados ao serviço sem comunicar antecipadamente à chefia.
 
Nos termos da portaria instauradora do PAD no Acre, os agentes federais teriam propiciado a divulgação de dificuldades, limitações e deficiências de recursos humanos, técnicos e materiais nos postos de fronteira. Para o superintendente, por dever de ofício, eles deveriam ter informado à autoridade superior as irregularidades por meio de “competente relatório”.

A falta de condições nos postos de fronteira não são novidades na Polícia Federal e no Acre não é exceção. Para resolver os problemas nos postos o gestor estadual da PF não precisaria esperar um “competente relatório”. Bastaria sair de seu gabinete e visitar as unidades para constatar "in loco" os sérios problemas enfrentados pelos policiais em serviço naqueles locais.

O diretor de relações do Trabalho da Fenapef, Francisco Sabino, encaminhou expediente ao diretor-geral da PF, informando que em nenhum momento os policiais revelaram à imprensa os problemas enfrentados nos postos. “O que ocorreu foi uma conversa informal entre os colegas, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e representantes sindicais. Além disso, algumas deficiências são visíveis a quem quer que chegue às unidades”. Sabino relata que um repórter da revista "Veja", pode ter presenciado a conversa e feito a matéria. “No documento que enviamos ao diretor-geral pedimos clemência em relação aos policiais arrolados no PAD, pelo destempero daquele superintendente que sequer conhece as condições das unidades sob sua responsabilidade”.

AMAZONAS – No Amazonas, a situação é ainda mais escabrosa. No estado onde dois agentes federais foram mortos em uma missão para a qual não tinham equipamentos adequados, o superintendente regional abriu um PAD contra duas lideranças sindicais. O burocrata está indignado porque o presidente e o vice-presidente do SINPEF/AM teriam deixado de registrar sua frequência no dia 24 de maio deste ano.

Por trás do “inocente” PAD do superintendente regional do Amazonas, está a clara intenção de atingir a organização sindical dos policiais federais. No dia 24 de junho, os dois dirigentes  sindicais receberam o diretor de Relações do Trabalho da Fenapef para uma inspeção à área da superintendência da PF no estado. O principal objetivo da visita foi averiguar as condições de trabalho dos policiais na região. O superintendente regional, certamente, não gostou da visita e mandou instaurar processo disciplinar os representantes dos policiais como forma de cercear a atuação do sindicato.

O presidente da Fenapef, Marcos Vinício Wink, ressalta que alguns dirigentes da PF transformaram a instituição numa "fábrica" de processos disciplinares. “Os gestores estão usando os PAD´s como uma ferramenta inquisitorial, a serviço de chefias autoritárias, que não têm condições de assimilar críticas de interesse público", comenta.  Wink explica que a federação e seus sindicatos estão tomando iniciativas junto ao Legislativo para que de uma vez por todas seja colocado um ponto final nessa história de abusos e perseguições.

Fonte: Agência Fenapef

 



 

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