Dois mil e onze não foi um ano fácil para os servidores públicos. Durante os 365 dias do ano categorias dos mais diversos setores do serviço público brigaram por índices de reajustes que, no final das contas, não vieram. A crise mundial e a política de contenção de gastos da presidente Dilma Rousseff foram os argumentos usados para que nenhum índice fosse concedido aos servidores.
A Federação Nacional dos Policiais Federais e os sindicatos filiados também encontraram as mesmas resistências no governo, mas mesmo assim mantiveram as negociações com vistas a garantir a recomposição da tabela salarial e a reorganização da Carreira. Dois grupos de trabalho coordenados pela Federação trabalharam para construir as propostas que atualmente são discutidas com o governo.
Um dos pilares da proposta apresentada pelos policiais federais é a criação do cargo de Oficial de Polícia Federal. Construída a partir da deliberação dos policiais federais em um Congresso da categoria, a proposta do OPF valoriza as funções de polícia administrativa da União e valoriza os policiais que as executam. Na prática, o OPF faz a junção de agentes e escrivães potencializando a utilização desses profissionais em atividades preventivas e de combate ao crime. “Com o OPF vamos fazer mais segurança, com o mesmo efetivo que temos”, diz José Tércio Fagundes, um dos policiais que sistematizou o projeto.
O ano de 2011 também entrará para a história como o ano do reconhecimento do nível superior de escrivães, papiloscopistas e agentes. O nível superior destes policiais já estava previsto em lei, mas somente agora, 15 anos depois da edição da Lei 9.266/1996 é que o governo reconheceu a partir de um ato formal este direito dos policiais. “O trabalho junto ao ministério do Planejamento e o diálogo asseguraram o reconhecimento”, diz o presidente da Fenapef, Marcos Wink.
A conquista do reconhecimento do NS é fruto da negociação com o Ministério do Planejamento. Outro resultado desta mesma negociação é assinatura já no mês de dezembro do relatório com as propostas para a carreira e para a reestruturação do salário dos EPA`s.
FRONTEIRAS - 2011 também foi o ano em que o Brasil começou a discutir a segurança de suas fronteiras. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) há anos vinha alertando para o problema, mas somente agora o governo começou a tratar do tema. Para marcar a inconformidade dos policiais com a situação Federação e sindicatos organizaram manifestações pedindo melhores condições de trabalho e a implantação da indenização de fronteira para os policiais lotados nas localidades de difícil provimento.
A mobilização resultou em uma proposta que, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já estaria aguardando o sinal verde do Palácio do Planalto. O que, até o final do ano, não aconteceu.
Mas nem tudo foram flores para o sindicalismo da Polícia Federal. O ano acaba com a marca das perseguições aos policiais dentro do DPF. Os Processos Administrativos Disciplinares se tornaram correntes e por qualquer motivo. Policiais que emitem opinião, que contrariam a vontade dos chefes, que denunciam as péssimas condições de trabalho são as vítimas preferenciais dos PAD´s..
A situação chegou a tal ponto que a Federação levou ao conhecimento da Organização Internacional do Trabalha (OIT) o caso das perseguições contra os sindicalistas como é o caso do diretor de Comunicação da Fenapef, Josias Fernandes, autor do artigo "Polícia de Juristas", que despertou a ira de alguns.
Para Marcos Wink, mesmo sendo marcado por perseguições e muito trabalho de bastidores o ano acaba com saldo positivo. Segundo Wink, o trabalho de construção de propostas de reestruração da carreira e da tabela salarial foram concluídas. "Fizemos um trabalho árduo para transformar o estado de coisas que temos hoje, agora é começar 2012 trabalhando para colocar essas propostas em prática", diz.
Fonte: Agência Fenapef